Posteado por: tucidides | 2 enero 2010

Coreia do Norte sugere paz com Estados Unidos

Pyongyang admite regresso a negociações sobre oseu nuclear e insiste em contactos directos com Washington

É objectivo do “Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte e do seu Governo desenvolver relações de boa vizinhança e amizade com outros países (…) e pôr fim às relações conflituosas com os Estados Unidos”, lê-se no editorial de ano novo publicado em todos os media do regime de Kim Jong-il.

O texto, divulgado para o exterior pela agência oficial KCNA, sugere uma mudança de atitude no regime norte-coreano meses depois de ter declarado “mortas” as negociações a seis – envolvendo os EUA, Rússia, China, o Japão e as duas Coreias – em que se procura levar Pyongyang a abandonar o seu programa nuclear.

O texto – onde pode ainda ler-se ser prioridade dos norte-coreanos “o estabelecimento de um sistema de paz duradoura na península coreana que a torne livre de armas nucleares através do diálogo e da negociação” – está a ser interpretado como uma resposta a uma iniciativa de Barack Obama no passado mês de Dezembro.

O dirigente americano enviou a Kim Jong-il uma carta pessoal em que convida o líder norte-coreano a regressar à mesa das negociações; do conteúdo da carta não se sabe se Obama admite negociações directas entre Washington e Pyongyang, como o regime norte-coreano vêm reivindicando incessantemente desde há anos.

A política oficial dos EUA nesta matéria tem sido a de que não haverá normalização de relações nem suspensão das sanções em vigor, enquanto Pyongyang não proceder, de forma clara e verificável, ao desmantelamento do seu programa nuclear.

Os analistas notam que tem sido estratégia praticada com sucesso por Pyongyang esta alteração cíclica de gestos conciliatórios e posições irredutíveis, com o fim de obter concessões diplomáticas ou apoios humanitários e de combustível da Coreia do Sul, do Japão e dos EUA.

Ao longo de 2009, Pyongyang cultivou uma atitude de intransigência face às pressões internacionais, tendo realizado um segundo teste nuclear subterrâneo, em Maio, e disparos de mísseis, em Julho.

Ao mesmo tempo prosseguia a reactivação das instalações nucleares de Yongbyon, que aceitara desmantelar no quadro das negociações a seis.

Mas, fiel à política de duas faces, Pyongyang ia deixando surgir sinais conciliatórios. Em Outubro, Kim Jong-il terá dito ao primeiro-ministro chinês Wen Jiabao estar disponível para regressar a negociações sobre o nuclear. Com uma advertência: a disponibilidade para negociar dependeria de progressos nas relações bilaterais com os EUA.

Em Agosto, um sinal calculado de boa vontade: no âmbito de uma visita de Bill Clinton, Kim emite um “perdão especial” que permite a libertação de Laura Ling e Euna Lee, jornalistas americanas detidas na Coreia do Norte.

No início de 2010, defendiam ontem os analistas que seguem o regime de Kim, confrontado este com duras sanções da ONU e quase isolado no plano internacional, precisa de recuperar espaço de manobra. O editorial divulgado ontem cumpre esse objectivo.

Fuente: http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1460151

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