Posteado por: tucidides | 2 enero 2010

Ecologia chega aos discursos da Igreja

00h30m

HELENA TEIXEIRA DA SILVA

D. José Policarpo e D. Manuel Clemente aproveitam homilias para introduzir as novas preocupações.

O cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, defendeu ontem, sexta-feira, na homilia do Dia Mundial da Paz, na paróquia de Nossa Senhora da Purificação de Oeiras, “uma profunda revolução cultural e civilizacional” para que a Humanidade reencontre a justiça e a paz.

“A Humanidade está, como nunca, perante o desafio de renovação de civilização”, afirmou o cardeal patriarca. D. Policarpo dirigiu as suas palavras para os “grandes problemas” que, numa época de globalização, “são comuns a toda a família humana, como o são, por exemplo, a salvaguarda do planeta Terra, a casa onde habitamos, a construção da paz, a vitória contra a violência, a promoção da justiça, de modo particular nos sistemas económico-financeiros e sociais”. E, se os problemas são globais, também as soluções terão de o ser, considerou, referindo que a opinião pública tem sido mobilizada na atenção a problemas específicos: “a crise económica, a violência crescente, a eficácia do sistema judicial, a corrupção, a luta contra a degradação do ambiente”.

Também o bispo do Porto, D. Manuel Clemente, usou a homilia da missa de Ano Novo para manifestar preocupação com as questões ecológicas do planeta Terra. “Num país como o nosso, mal conseguimos imaginar facilmente o que era a precariedade das vidas e o sobressalto dos dias, ainda há poucas gerações”, continuou D. Manuel Clemente, que recordou “a altíssima mortalidade infantil, a pouca defesa contra qualquer infecção ou contágio e as resumidas práticas higiénicas”.

D. José da Cruz Policarpo lembrou que estes problemas estão interligados, sendo causa-efeito uns dos outros. “Administrar a justiça numa sociedade em que as pessoas e as instituições não procuram ser justas é tarefa árdua e complexa”, defendeu o dignitário da Igreja Católica.

“Profunda revolução”

Para o cardeal, a solução para todos estes “graves problemas da sociedade exige uma profunda revolução cultural e civilizacional”, devendo a tónica ser posta na educação, na família, na comunicação social, nas estruturas culturais, na formação para a liberdade, “cujo exercício legítimo supõe sempre a responsabilidade da promoção do bem comum. O exercício da liberdade”, esclarece, “deve ser inspirado, não pelos egoísmos de cada um, mas por um ideal generoso de humanidade”. E acrescenta: “Espanta-me que se façam cimeiras sectoriais, sobre a preservação do ambiente, sobre a economia, sobre a crise financeira e que ainda não se tivesse dado o mesmo relevo a cimeiras de aprofundamento civilizacional”, afirmou, para a seguir defender que é preciso discutir “seriamente que humanidade queremos ser para legar aos nossos vindouros”.

D. José Policarpo sublinhou ainda que “a Igreja é necessária às grandes causas da Humanidade” e que, num quadro de globalização, o debate tem de passar por um diálogo entre civilizações, onde a Igreja Católica tem um contributo a dar. Reconhecendo que a Igreja faz parte da solução para os problemas, concluiu: “A Igreja tem consciência da sua responsabilidade em todas as grandes causas da Humanidade, na busca da superação dos problemas com que esta se confronta em cada tempo, e os obreiros dessa contribuição da Igreja para o progresso da civilização são todos os cristãos”.

Fuente: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1459946

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